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Provavelmente, nunca o saberás. Nem eu terei a coragem de te dizer. Aprendi a calar muitas coisas. É mais seguro.  Mas isto, este reencontro, o jogo que tem sido construído. O reconhecimento da identidade. As parecenças. As diferenças. O encaixe. A química que é imensidão. Tudo isto, devolveu-me uma parte de mim. Que eu achava que havia perdido. I'm feeling so fucking alive. Alive!


Seja o que for, dure o tempo que durar, já valeu a pena.

26-27





Estou a um dia de fazer 27 anos. A três anos dos 30. A ideia de fazer 30 anos deprime-me. Eu não quero. Quero continuar a ser miúda. Nos restaurantes já me perguntam "A senhora também deseja vinho?". É horrendo. Eu corrijo e digo "A menina, se faz favor". A minha esteticista ontem disse-me: tens 24, não é?. Eu sorri. Sim, sim ainda tenho 24 anos. Claro que não. Disse-lhe a verdade. Afirmou que sempre achou que eu tinha 24 anos. Isto basicamente porque me conheceu nessa idade. Entretanto, três anos se passaram. Eu gosto que o tempo passe. Porque se ele passa, então irá concerteza levar com ele as coisas más. As coisas que queremos esquecer. Mas o problema, é que coisas boas também irão passar. E aqui, este ponto certeiro, é que me incomoda. Sim, eu sofro por antecipação. Sou a dramalheira da antecipação. Sinto as perdas antes de as mesmas aconteceram. Não gosto de dramas, aliás, abomino. Mas os dos outros. Os meus são preciosos. Existe uma parcela de egocentrismo que nunca me vai abandonar. E ainda bem. É como se fosse uma segurança. Penso que é fácil de entender.

Eu sempre quis fugir a responsabilidades. às contas que aparecem todos os meses. à tomada de decisões. à pressão. às expectativas. Neste momento sou independente financeiramente e só apetece voltar a ser dependente dos meus pais. Eu nunca quis ser adulta, aqui me confesso. Por isso, sempre adorei que me tratassem por "miúda". Esse pronúncio é um fetiche para mim. Há algo em mim que se arrepia, quando me tratam assim. Não pode ser qualquer pessoa, é verdade. E há formas de o dizer. Sou esquisita, bem sei. Com 27 anos, eu penso que quero filhos. Mas depois penso nas responsabilidades, e é como se desistisse da ideia. É como se a chegada dos trinta nos fizesse pensar numa data de coisas que queremos e ainda não aconteceram. é a mesma coisa com o amor. hoje em dia não consigo que me falem de amor. não consigo. porque não o consigo visualizar em mim. vejo-o demasiado longe. está longe. entendem? então se me falam de amor, eu paraliso. devo ficar branca. e cheia de nervos(inhos). Acho que interiormente, instala-se o pânico. Se me falarem de paixão, conseguem que eu me permita andar de mão dada. mas o amor, não. é como se existisse um bloqueio enorme que me impede de sequer pronunciar essa palavra. essa aberração emocional. que ao mesmo tempo que nos dá uma felicidade desmedida, nos morde até aos ossos. 

Amanhã vou estar feliz. Sei disso, porque estarei com pessoas importantes. E depois de amanhã, a mesma coisa. Descobri há pouco que o meu dj do <3 vai pôr música no meu bar favorito. Só me falta dar saltinhos de alegria. 

Não é fácil permitir que a felicidade entre. Mas eu hoje, ainda com 26 anos, consigo afirmar que me sinto Feliz.







"We are all alone, born alone, die alone, and -- in spite of True Romance magazines -- we shall all someday look back on our lives and see that, in spite of our company, we were alone the whole way. I do not say lonely -- at least, not all the time -- but essentially, and finally, alone. This is what makes your self-respect so important, and I don't see how you can respect yourself if you must look in the hearts and minds of others for your happiness."

Hunter S. Thompson,
"The Proud Highway: Saga of a Desperate Southern Gentleman, 1955-1967"

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Estou para escrever sobre isto há algum tempo. Acho eu. Penso que sim porque em certas altura consome-me. No presente momento, consome-me. E ao mesmo tempo que preciso de resolver isto (haverá alguma altura da nossa vida em que deixamos de resolver o que quer que seja? Sim, quando morrermos), preciso de escrever. Escrever tem sido o primeiro passo. Supostamente, eu estou bem. Estou diferente, estou melhor. Eu acho (ou talvez não), os que me rodeiam também. Eu faço por estar melhor. É uma luta, bem sei. Mas eu preciso de ficar bem. Não sei de quê. Não sei qual o meu problema. Ainda não sei. Sim, eu complico. Se calhar é isso. Mas então alguém que me explique o que é isto que tenho dentro de mim e me faça o favor de arrancar. Porque se eu não entendo, eu não o consigo resolver.

O que sinto. Posso começar por aí. Eu sinto uma perda. Ou Várias. Mas é isto que tenho vindo a sentir ano após ano. Perdas, desilusões, perdas. E estou cansada. Demasiado. Porque perder o que não nos faz bem, não devia ser mau, certo? Pois. Então e isto que eu sinto? Como se grande parte da minha vida fosse um funeral. Foda-se.

Sempre fui solitária. Os amigos não enchiam a palma da mão. Sempre percebi que ao longo dos anos as amizades vão-se perdendo. Eu foi perdendo amigos à medida que eles iam-se metendo em relações. Depois as relações terminavam, e eles voltavam. Mas eu já não estava lá. Porque tinha decidido partir. Não sou boa a esperar. Não sou boa a estar ali à mão. Por mais que já tivesse desempenhado esse papel. Depois os amigos quando voltam, dizem olha já aqui estou. E eu olhava e percebia que já não havia espaço para eles. Porque eu avancei. Também se avança nas amizades. O tempo faz esse papel. Eu fui-me habitando. Depois passado anos, esses tais amigos lembram-se e dizem que têm saudades. E eu respondo que também tenho. Sim dos tempos idos, mas no agora o que há? nada. memórias, apenas.

Lembro-me que quando tive a primeira relação de namoro (e única?) afastei-me de todos os meus amigos. Deixei-me ser engolida nessa coisa que são os primeiros tempos de um namoro. Os constantes mimos. O sexo mais de uma vez por dia. As palavras bonitas (e tantas vezes vazias). Os planos. Essas coisas. Quando a minha relação acabou, os amigos mantiveram-se. Com a excepção de alguns. Prometi a mim própria nunca mais deixar a minha vida por mais ninguém. Até hoje cumpri. Mas também, nunca mais consegui ter uma relação normal com ninguém. A não ser que se considere "normal", as fodas de uma noite, os casos, as coisas mal resolvidas. Enfim. Algo do género.

Este ano senti a perda (desilusão?) de um dos meus melhores amigos que se apaixonou, começou a namorar e desapareceu. Sei que já não está a namorar. Mas não o voltei a ver. E sei que ele voltará porque as mágoas têm de ser contadas a alguém. Ele voltará e eu irei recebê-lo porque não passou tempo suficiente para eu achar que já não há espaço. E ele estará presente até que comece a namorar de novo. (ou eu? Também há essa hipótese. Mesmo que eu não consiga acreditar. Racionalmente. Porque emocionalmente acredita-se até ao fim.) A amizade poderá ser entendida como o cais de regressos e partidas? Pode.

Pela primeira vez na vida tenho um grupo de amigas a sério. A que chamo família. Durante 1 ano e meio fomos todas solteiras com intervalos de coisas das acima referidas. Mas nunca nos afastamos. Foi como se uma promessa tivesse sido feita. Na verdade não foi. Mas a ligação era forte demais. É como se assim se entendesse. Eu nunca tive um grupo de amigas, portanto, tê-lo fez muito feliz. Foi como se pela primeira vez na vida estivesse preenchida em algo. Sentirmos-nos preenchidas é do mais bonito que se pode sentir. Foi a primeira vez que o senti. Por isso, chamei de minha família.

Neste momento, sinto uma perda. Como se me tivessem arrancado parte de mim. Porque a vida mudou. Estamos perante uma fase de mudança. E mudança não tem de ser mau. Não tem. Mas a adaptação é horrível. E eu depois tenho esta coisa horrível de antecipar cenários. E o que eu antecipo não é bonito. Acolhedor. É solitário. As relações mudam as amizades. O tempo dedicado à amizade passa a ser curto. Demasiado curto. As ligações mudam. Porque de repente, os nossos amigos deixam de ser apenas eles. São eles e mais uma pessoa. E tudo fica diferente. Acho que no fundo, queremos acreditar que tudo irá permanecer igual. Mas não, não é assim. Tudo muda. Depois é preciso. Adaptar. Ajustar. E entender que nada deve ser tomado como garantido. Aceitar não é fácil. Não é. Sorrir quando se sente uma perda, muito menos. E depois ter as memórias. E perceber, que o presente mudou. E o futuro ser ainda mais diferente.

Nao estava preparada para ter de voltar a mim tão cedo. Não estava. Porque já não sei como se faz. Já não sei como fazer para me sentir bem sozinha.

(E se eu ficar para tia (as probabilidades são muito altas), nem pensem que vou cuidar dos vossos filhos todos)

Isto.




Derek: you were like coming up fresh air. it’s like i was drowning and you saved me. it’s all i know.

Meredith: it’s not good enough.



Recuso-me a escrever mais sobre este assunto, em particular. Recuso-me. Porque falar/escrever sobre isto faz com que me considere muito burra e sem respeito por mim própria. O que não é verdade. de todo. Portanto, tenho feito um exercício que é desculpar-me com o facto de ter tido uma incapacidade temporária que demorou tempo a mais.  Foi isso. às vezes, acontece aos seres mais iluminados. E aconteceu-me a mim. Já é de conhecimento geral que tenho uma panca por pessoas que não me dão prioridade. E que têm mais do que fazer, do que para além de falarem, agirem em conformidade. Sim porque as pessoas são muito ocupadas e não há tempo para nada. E depois há o stress e mortes por todo o mundo, e a crise. Enfim. Não há tempo para agir em conformidade com as palavras que ousamos (sim, ousamos) dizer a alguém. Não há tempo nem vontade nem tomates. ok? Sim, eu disse mesmo tomates. Mas existem situações que chegam a um ponto tal de extremidade, que quase seria necessário fazer internamentos face ao risco de contágio. De cobardia, medos e outros da mesma família.

Portanto, isto hoje será uma excepção. Um pequeno reparo. Que tem algo de engraçado. Porque me faz rir. Eu devia querer esmurrar alguém. Mas não. Eu não sou assim tão agressiva. Eu só consigo rir. Porque eu sou muitooo má e certas atitudes dos outros fazem-me rir. Muito.

Avançando:
Quando dizemos a uma pessoa: é agora. se vais fazer alguma coisa é agora. não pode haver mais desculpas. já as coleccionamos há muito. é agora. Para ontem. Já.

O que deve a pessoa fazer?
Aqui temos muitas opções:
A) agir
B) fugir para a islândia
C) Falar com uma das melhores amigas da outra personagem (eu, portanto)
D) meter-se num buraco
E) ter medo medo medo medo
F) duplicar o crédito em cobardia
E) duas ou três das anteriores e dizer "então vou deixar-te em paz".

(Eu estou a escrever isto e a imaginar-te Piu a expressão que deves estar a fazer. :) )

Também pode ocorrer não existir correspondência entre línguas. Sei lá. Pode ocorrer. Mas não é o caso.

O reparo era este. A excepção era esta. E agora sim, agradeço que me deixes em paz de uma vez por todas. 

With no fucking returning! (pode ser que entendas melhor nesta língua)



Mais vale escrever a última conclusão que eu tirei no campo de batalha. Não vale mais a pena adiar o momento. Chega. Dizê-lo não me fará parar de fugir das relações e dos grilhões. Não me fará diferente ou menos complicada. Não me fará deixar de provocar. Não me fará parar de enviar a imagem de que eu quero é foder e estou a milhas de sentimentos mais profundos. Não me fará gostar e desejar menos a minha independência e liberdade. Não. A minha natureza não se altera. O facto de eu gostar pouco de relações "normais" também não. Porque eu mudei mas continuo igual. Basicamente é isso. Não torna o facto mais tranquilizador ou sereno. Não. Duvido que alguma vez eu deixe de viver num campo de batalha. A minha intensidade é assim. Faz-me ser assim.

Mas sim, os anos passaram, e eu mudei. Bem como as minhas prioridades. Já não consigo ter sexo só porque acho piada. Porque já não me envolvo. Já não me dedico. Já não consigo estar ali entre peles, beijos e afins. Já não consigo fornicar como dantes. Por antes, fornicar era tudo. Era o expoente máximo. Agora não. Já não consigo. Tentei. Tentei uma última vez e fui duro acordar. Porque finalmente entendi que preciso de mais. Até na cama.

Portanto sim, assumo: preciso de me apaixonar (mas foda-se, ser correspondida também). E não, já não acredito na paixão ao primeiro momento. Mas acredito na ligação, química ao primeiro instante. E sim, bastará isso para conseguir ir em frente. Mas menos, não. Porque já não consigo entregar nada só por tesão ou atracção.

E ao mesmo tempo que tomar disto consciência  me irrita, ao mesmo tempo faz-me sorrir. Porque eu mudei, e afinal não é assim tão mau.
 
 


Conversa de hora de almoço.

Eu: Durante anos usei o meu corpo e usei o corpo de outras pessoas por causa dos bons momentos. Por causa, do desejo, do tesão. Da liberdade. Da ausência de amarras. Por achar que isso é que era viver. Que os momentos cheios de pele eram o verdadeiro viver. Fugi de tudo o que me poderia viciar. Não a pele. Mas os restantes membros. Fugi para não conceder a ninguém o poder de me despedaçar. Corri, sabes? Corri durante anos. Nove anos, ao certo. O primeiro momento que me recordo foi a dor da primeira desilusão. Não foi uma desilusão qualquer. É bom que se saiba. Já te falei disto, uma vez. A primeira desilusão, os primeiros estilhaços do coração. É a partir daqui que a vida nos invade de forma diferente. Menos suave e mais agressiva. Durante anos, agi como que a vingar a dor que me provocaram. Não resultou. Nem o facto de ter ressuscitado me deu uma nova liberdade. Ou um novo coração. Porque nada volta ao inicio. As marcas ficaram para sempre alojadas. Ninguém se engane. Tudo muda. Por mais que neguemos. Gastei-me. Ao ponto de não saber identificar de forma certa os sentimentos. Ao ponto de quase não sentir nada no corpo. O que sinto é fruto da minha imaginação. Gastei o corpo e agora não sei o que fazer dele. Como o entregar. Como usufruir do que ele me tem para dar. Portanto, é como se eu e ele não nos reconhecêssemos. Ele culpa-me. Eu não o identifico como meu. E a única coisa que hoje sei é que não valeu a pena. O vazio que ficou, é demasiado grande para o consertar. Não sei como o fazer. Há um intermédio infalível entre o corpo e o coração. E a mente, a mente deixou de controlar o que quer que seja.

Ela: Tu és um mundo. Tu cuidas dos outros. Tens, por acaso, percepção de quanto é que tu cuidas dos outros? Tu és tudo, a tua polivalência é o que de melhor e pior trazes em ti. Porque se tu és um mundo, as pessoas olham para ti, e não visualizam como tu também cais. Como tu também sofres. Como tu também precisas que cuidem de ti. Como tu tens igualmente necessidades. Como precisas de colo e de alguém que seja um mundo em ti. Sim, o que tu mostras de ti, afasta-te das pessoas. Elas deixam de te ver porque ocupas demasiado. É isso que eu vejo em ti. Ninguém pergunta a um mundo se ele está bem. Quem é que se iria lembrar disso? Ninguém. Desculpa, mas ninguém. Precisas de mostrar aos outros que tu também és humana. E na verdade, igual a qualquer pessoa. Permite-te.



*imagem retirada daqui


Pudesse eu.




Pudesse eu dizer-te que já não me ferve a tua memória. Que o pensamento de ti já não me entranha na pele como se fosse o teu toque. Que já não repito em silêncio tudo o que um dia me dirigiste. Que não reconstruo os momentos. As poses. Os diálogos. A entrega.

Pudesse eu jurar que os meus orgasmos já não teus. Que a minha cama onde nunca tiveste está limpa de ti. Que os passos controlam-se porque sim. Porque tem de ser. Porque outra escolha não se coloca. Quisesse eu engolir todos os sentimentos, como se fossem o meu prato favorito. Beber-te compulsivamente, como se fosses shots de TGV e cerveja. A perfeita combinação de um Sábado à noite.

Pudesse eu escrever isto tudo de forma sentida, e seria livre.

Em plenitude, livre de ti.
 
 

...










 Adoro a imagem. Discordo com a mensagem.








Nothing to lose.



É uma história minha. Tão minha como cada membro do meu corpo. Mas é preciso contá-la como se fosse uma história de terceiros. sem qualquer ligação a mim. Para que possa usar as palavras correctas, sem grande traço de ternura, ou emoção. Sim, contar esta história como se fosse uma história de um estranho. Sem qualquer pingo de sensibilidade. Não consigo. Assumo desde já o fracasso. É impossível expor esta história, sem que me emocione. Não choro. Mas emociono-me. O que me parece ser pior. Olhos molhados é uma vergonha maior do que lágrimas que caem. é como se me faltasse a coragem de chorar. O que seria pouco correspondente com a realidade, porque se há coisa que eu tenho, é coragem, Ou tomates. sempre gostei desta palavra. Na terapia, quando estava a contar as minhas últimas ligações físicas/amorosas/emocionais, contei esta história.  Lá fiquei com a puta dos olhos emocionados. Disse-me que na opinião dela, eu ainda não te tinha ultrapassado. Eu sorri. Expliquei que a porta estava fechada entre nós mas que as imagens do que havíamos partilhado (que convenhamos em espaço temporal foi tão pouco, mas de intensidade, não sei. classifico como arrebatador), continuava a visitar-me de olhos abertos e fechados. Uma merda, portanto. Mas com o pormenor de me fazer sorrir. Sou otária, é isso?

Depois ocorre-me perguntar-te se tens conhecimento que te comparo a todas as mulheres. O que é um horror, porque nenhuma delas és tu. O que me faz recordar aquilo que certa noite me disseste. Algo como que eu estaria léguas acima de ti. algo deste género. lembras-te? Isso foi  importante. Porque na altura eu julgava-me uma merda e tu fizeste-me considerar que provavelmente sempre seria alguém especial. Lamento, se não te dei a entender o mesmo. O quão eras especial em mim. Falo tanto e às vezes, acabo por calar, provavelmente o mais importante. Ou não. Eu disse-te tanto naquele e-mail. Foi como se me estivesse a despir lentamente, sem a tua ajuda. Foi horrível, confesso-te. Mas não me arrependo.

Há já algum tempo, que tu tens uma vida. Eu tenho outra. Nada de semelhante. Vemos-nos de vez em quando. Sorrimos. Trocamos palavras de circunstância em segundos. Acho que vou começar a contar os segundos. Continuo a foder-te com os olhos sempre que te vejo. às vezes, não é preciso ver-te. Basta imaginar-te. Posso estar a caminhar na rua e isso acontecer. Doentio? Se calhar, sou doente. Também, acontece-me ficar enternecida quando olho para ti, e vejo-me simplesmente a abraçar-te. apenas isso. Quando posso, faço por tocar-te. Que posso dizer? Há coisas incontroláveis. As minhas desculpas desde já. Poderia classificar-te como uma tentação. Ponto. Serias carne que me tinha deliciado mas que não voltaria a repetir. Houve um tempo na minha vida em que as mulheres eram peças de carne, e a classificação dependia do nível de satisfação. (isto foi horrível, não foi? mas mais directa, seria impossível. Para quem possa interessar, já não sou assim. Já não classifico mulheres nem as resumo a alimentação). Tu serias um número um. Enchias-me as medidas, que não são poucas. Superavas-te e acho que nunca percebeste isso. Devo lamentar? Pois.

Tivesses tu continuado como carne e teria tudo corrido bem. Tivesse eu ficado calada? Estupidez. Mais transparente do que fui, não podia. Acho que nunca me vou conseguir calar. Controlar, talvez. Já me controlo em tantas coisas. Seria mais uma, certo?

Supostamente, ia contar a história. Merda, sou tão confusa.

Prefiro, não contar.

Apenas posso dizer que não sei se saberia fazer as coisas de outra forma.

Poderia ter-te facilitado mais a vida, mas eu não faço isso. Eu complico. É a minha natureza.

Gostava de um dia acordar e achar que foste um erro. Confesso. No entanto, é impossível ter sido tão bom e ao mesmo ser um erro.

Não, não foste um erro.

Mas lamento que o prazo de validade tenha sido tão curto.

Ter-me-ia sido fácil decorar todos os caminhos, os planos e os cheios de tráfego, para chegar até ti. E é nesta medida que sei o quanto deixaste em mim.


Pronto. Era isto.




Existem dias em que a clareza de espírito nos invade. Em que percebemos que, por vezes, a palavra felicidade é demasiado grande para existir em nós, dia após dia. Percebemos também que a intensidade é uma coisa boa, mas tantas vezes vítima de incompreensão. Porque as pessoas não são iguais. Os momentos vividos muito menos. Provavelmente a grande lição a tirar, é que o melhor que poderemos algum dia retirar do que vivemos, é o facto de sermos apreciados pelos outros. E isto, tenho aprendido, é na verdade, algo muito simples. Ser apreciado, não exige um campo de batalha. A realização de grandes feitos. Bastará uma palavra certa no momento certo. Um abraço. Uma conversa. Um jantar entre amigos. A companhia. E a forma, como crescemos na vida uns dos outros.

Sim, às vezes isto não basta. Porque queremos tudo. Queremos ter tudo, sentir tudo. O nada soa-nos como algo desconfortável e pouco merecedor de atenção. E eu compreendo, aliás, quem não compreende? Quando sabemos da existência de um tudo. Quando vemos isso a ser vivido por outras pessoas. Naturalmente, que desejamos o mesmo para nós. Não queremos esperar. Porque a certeza da morte, é cada vez mais presente. O medo de não vivermos tudo o que queremos. A angústia que isso causa. A frustração. Sei isto tudo de cor. Queria não saber tanto. Porque viver seria um processo mais tranquilo.

Mas tantas vezes escrevi, que a felicidade era um exagero e o que importava reter, eram os momentos. Esses pequenos troféus que vão acontecendo de forma simples. E que nos preenchem, mesmo quando achamos que não. Eles fazem a diferença. E um dia, saberemos isso de forma esclarecida.

É isto que tenho vindo a adquirir. Este conhecimento quase palpável. Não que seja algo equilibrado ou sequer experimentado em pleno. Porque por mais que a racionalidade exista, não deixamos de ser seres emocionais. Portanto, a turbulência irá sempre existir. Saber lidar com ela e minimizar os danos, é outra questão. A aprendizagem faz-se a partir daqui.

Não, não estou a dizer que vou deixar de querer o tudo. Seria irreal, dizer isso. Também não vou dizer que vou deixar de ser intensa. Não é comportável. Continuo a acreditar, que o todo que sou, é o que me faz ser diferente. É a minha essência. Não vou contra ela. Não posso.

Mas quero alcançar o estado sereno que me sentir bem com o que tenho. Que não é pouco. Não é mesmo pouco. Deixar de viver a 100 à hora. E saber também apreciar o que os outros me trazem.

Se juntarmos um ou dois momentos bons que aconteceram num espaço de sete dias, poderemos dizer, que somos felizes. Se conseguimos rir, conversar, fazer um trabalho. Se temos a capacidade de fazermos bem aos outros. Então infelizes, é algo que não podemos ser.

Tenho dito.

:)



Os maiores ensinamentos dos pais são aqueles que se ouvem sem ser em forma de conselho. São aqueles que se retiram de conversas numa esplanada qualquer num dia em que o sol resolveu aparecer.

A minha mãe é uma Grande Mulher. Por tudo e por nada. Por ser quem é. Por ter ficado sempre do meu lado mesmo quando lhe foi dificil. Doloroso. Mas ela ficou sempre. Nunca arredou pé. E por vezes, estava aqui de forma invisível. Porque quem é Grande, pode ser invisível. Isto porque, no momento certo, saberemos quem é que foi importante. E ela é. Mais uma vez, por tudo e por nada.

Quando ela me visita, eu permaneço calma. Faz-me bem vê-la feliz. E a fazer coisas de que gosta mas que geralmente só tem oportunidade de fazer comigo. E eu gosto dos meus dias com ela. E da forma como sou feliz, quando ela está perto.

O meu pai sempre me mimou mais. Sempre me fez as vontades todas. Ela era diferente. Não se deixava manipular com o meu charme. Batia com o pé, quando achava que devia. E por essa razão, tivemos muitas discussões no passado. Agora não. Agora eu sou uma filha crescida. Embora, continue a ser muito mimada e insuportável.

Eu desde há muitos anos que escolho as minhas prendas, no aniversário e Natal. Geralmente, (sempre) são coisas caras, em que participam os pais, a avó, a tia e eu. Eu por norma sou indecisa, como quero tudo, quando tenho de decidir, mudo sempre à última da hora, e às vezes, chateio-me e não compro nada. Foi assim no Natal. Queria um ipod. Depois um Iphone. Não comprei nenhum. (as prendas são sempre compradas de antemão porque fico ansiosa). Certo dia de Dezembro, ligo à mãe, a dizer que já tinha encomendado a prenda e dei-lhe as referências para pagar. Depois no dia de Natal, dei-lhe metade do valor. O combinado era este. (credo. leio isto e pareço uma pessoa tão horrorosa. Devo ser, portanto).

O tempo passou. O Ipod e o Iphone continuam na cabeça. Uma vez por semana (que mentirosa, pa! Quase todos os dias!!) vou ao site da fnac, vodafone, e tmn) ver as novidades, à espera que exista uma promoção miraculosa qualquer. lol Not. Evidentemente.

A mãe sabia que eu supostamente receberia um Ipad. Há meses, digo. Este fim-de-semana eu agarrei-me a uma Ipad na fnac. Uma meia hora. A mãe foi dar voltas. Perguntou-me na volta: então, não te iam oferecer? Eu disse que parecia que sim. Mas que não. Não iam. Provavelmente, nunca houve esse objectivo. Porque fazer-me feliz é simples. (ou caro?) Pois.

A mãe de repente diz:

Kikas, nunca devemos esperar que ninguém nos dê o que quer que seja. Nunca. Tu que te queixas sempre das palavras na ausência dos gestos, ainda te ficas com isso? Não. Nós fazemos as coisas por nós. Tu comandas isso, mais ninguém deve ter esse poder. E isto aplica-se em tudo na vida. Já está na altura de aprenderes isso. Ou já te esqueceste destes últimos dois anos?

(raios te partam, que tu és uma mãe do caraças)

De seguida, chamou o Sr. do Ipad, e disse que queria levar um.

É a prenda de anos antecipada, dizia. No dia 1 de Abril, fazemos contas como sempre.

Fiquei/estou tão feliz (és uma fútil, tu pa), que esta noite dormi com a menina Ipad ao meu lado.

E com isto, levei uma grande lição.

Só tu, mummy. Que tu nunca me faltes..

*


What if it does.


*imagem retirada daqui


Primeira Página







Eu não me sujeitei por ser masoquista. Eu não recebi todas as tuas mentiras dia após dia porque estava cega e para mim seriam verdades incontestáveis. Não. Enganas-te a meu respeito, mais uma vez. Eu não me sujeitei aos teus ataques de ciúmes quando eras tu que dormias com meia cidade. Enquanto eu esperava por ti, de banho tomado, o teu creme favorito empestado no meu corpo, com o robe que me tinhas comprado em Paris e sentada no sofá na posição adequada, para que chegasses e me conseguisses tomar toda nos teus braços. Eu poderia ter sido a tua puta só porque sim. Mas não. A ideia garanto-te que não era essa."
Foste embora ou voltas?
Vais inventar mais uma desculpa qualquer para justificares os teus dramas? Eu não me engano nem nunca me enganei a teu respeito. 20 anos? 20 anos diz-te alguma coisa? Já foste puta, já foste Cinderela, já foste rainha, já foste tudo o que quiseste comigo! O que é que tu queres afinal? Sabes que mais? Tu não sabes o que queres! E quando não sabes o que queres achas que sou o culpado. Não encontras outra forma de fugires se não depositares em mim toda essa culpa.
Vai-te embora. Deixa-me em paz, porra! 
Existe um adeus breve entre nós. não sei se é certo mas existe. Já nos despedimos com roupa. Nus. Com o corpo sujo. Arranhado. Disperso. Com marcas de mãos, saliva e batom. Dizes-me que se um dia adormeces sobre o meu corpo, terás de partir mais rapidamente. Porque é nessa patética existência de um adeus, que te permites ficar. Achava-te inteligente, agora acho que és imbecil. Quem se revela em argumentos, ressente-se com a falta de tomates. Entendes-me? ou queres que suba a cadeira para ficar da tua altura e to diga olhos nos olhos. Ter-me-às mais respeito assim? Cobarde! Poderia dizer-te que sim, que sempre senti amor. amor ao máximo que se torna desprezível. porque rouba-me o respeito por mim. estúpida eu. sim, seja amor mas já não suporto o teu cheio.
Só te falta cuspires-me na cara! Queres cuspir? Cospe!
Tu e essas ideias de despedida tolas! Nós nunca nos despedimos. Nós fodíamos! Nós fodíamos porque tu gostavas de ser fodida por mim. E eu gostava de ser fodido por ti. Gostava quando achavas que tudo ia acabar. Fodias como ninguém!
E a mim não me podes acusar de ter falta de tomates!
Porque se a mim me faltam os tomates o que é que a ti te falta? Já pensaste nisso?
A Foda e a Cobardia é algo que partilhamos muito bem, não te parece?
Não te faças santa! O teu cheio é tão cheio como o meu!
Portanto, ou fodes ou sais de cima. E não me venhas falar de amor. Não agora!
 
Sempre soubeste fazer-me rir como ninguém. nos momentos mais impróprios, tinhas essa habilidade. de todas as vezes, que vinhas cheio de confiança, rasgavas-me a roupa atiravas-me para cima da cama e sem jeito ou aptidão entravas dentro de mim. largavas o sémen em poucos minutos e lambias-me como se estivesses perante a tua sobremesa favorita. A única coisa que se safa da tua boca são os teus beijos, de resto, apenas és profissional em largar saliva. Parvo. Das poucas vezes, em que te permiti teres o controlo, provocavas-me sono. Se a divindade te colocou algo entre as pernas, deverias saber usá-la. Ou não? Não te tiro o mérito, acredita. Quando eu te montava desfazia-me em prazer. Sabias como tocar-me, desde que usasses as mãos. E agarravas-me de forma a que eu pudesse sentir a tua força. Ao menos isso, é o que te digo.
Perdoei-te os atrasos. A falta de tacto. As vezes em que nas discussões choravas. Tu um homem a chorar! mas alguma vez me pagaste para aturar essas fragilidades? Segurei-te a mão quando mais ninguém o fez. Assume os factos e deixa de ser menino da mamã. Se existe alguma coisa que te poderei ensinar é a enfrentares a vida. Não procures afagos porque nem sentindo amor o consigo fazer.
És capaz de seres menos desperdício do que já és?
Foda-se

O que é que a ti te importa?
Achas que esta discussão vai levar a algum lado? Pode levar sim. A mais 20 anos?!
Se te achas tão superior vai-te embora! Quantas vezes eu te pedi?
Porque é que insistes em fazer-me viver a tua realidade? Porque é que achas que sou só eu o mimado, o fragil, o vulnerável, o cobarde, o que tem falta de jeito, o desperdício?
É tão fácil, não é?
Joguinho baixo o teu! Esse de te armares dona e senhora da razão e juíza de valores e princípios.
Pois deixa-me dizer-te o seguinte.
Sabes porque é que ainda não me deixaste? Porque é que ainda não agarraste nas tuas merdas e foste embora?
Porque quando não estamos a discutir, porque quando eu te mimo, porque quando eu te fodo ou quando faço Amor contigo, porque quando converso contigo e te faço sorrir e rir, porque quando te surpreendo, não há homem que te faça sentir tão mulher como eu o faço.
E eu não faço estas coisas de ânimo leve, embora tu aches o contrário.
Queres que fale de amor? Queres que EU te fale de AMOR enquanto estás aí nesse teu cheio todo?
Amor não se prende a géneros. Eu não vejo o amor de uma maneira porque sou homem, nem tu vês o amor de uma maneira porque és mulher. Não!
Não subestimes a minha capacidade de Amar! Porque que se subestimas é porque nunca viste mais nada para além de ti mesma.
Acorda! Sai desse quartinho quentinho de ti mesma e de mulher bela, intocável e que todos os homens desejam amar e possuir. Porque tu, tu és a mulher mais difícil de amar que alguma vez encontrei! E não, não me custa assumir que foste até hoje a que mais Amei! Portanto, cala-te! E cala essa possessão e ciumes que vomitas todos os dias!
Ou queres que te foda? Queres controlar é? Eu sei.
Dá-te prazer. Ingenuidade a tua de achares que eu não percebia isso!

Porque é que não te calas? Agora usas o argumento do amor isto e aquilo? E como o sentes? Que coisa mais abominável, estupor! E então? Sim e então? E se eu gostar quando tu cuidas? quando mimas? Quando me fazes sorrir e rir e eu não estou à espera? Se consegues ter o abraço que me faz sossegar. Ficar serena em braços que não são os meus quando noutra altura da minha vida, só com os meus membros eu poderia contar. E então? Queres que diga que te admiro pelo aquilo que conseguiste fazer comigo? Como me habituei a partilhar os espaços mesmo que não contínuos. Como me fazem falta os teus beijos de boa noite quando dormes longe de mim? Como me irritam a maior parte das pessoas quando nada têm de ti. Sim, já reparaste, quando não estou contigo tenho o horrendo vício de recolher pedaços de ti nos outros. Que nunca são tu. Ou sequer perto. Rosto com traços mais perfeitos do que o teu, já não se fazem. Nem vozes. Sem sorrisos. Sem esses sinais em forma de triângulo que trazes às costas. Queres que me renda à evidência de como te quero mesmo que te odeie em momentos tantos? Ou preferes que me ajoelhe e te ceda a minha boca como forma de agradecimento por esse amor incrivelmente pegajoso que me tens?  Se te fosses embora para bem longe teria de reaprender a formar os dias como se de um puzzle se tratassem. e reconhecer-me na ignorância ao achar que algum dia poderias deixar de ser tão importante em mim.
Ingenuidade a tua de achares que era menos tua do que tu meu.


Nós já não somos Amor. Nós somos vício!
Vai-te embora, por favor!
Eu vou embora.
Para sempre é muito longe, eu sei.
Mas os vícios só se curam muito longe!


*Escrito por Scarlett e Yeux no dia de hoje.

*imagem retirada daqui

 

Yes.



Um pouco mais perto. Sem saber como. Em que condições. De que forma. Se à  segura distância  para te ver a sorrir. ou se perto o suficiente para não me conter e dar-te a mão. Não sei. Nem tenho de saber. É bom conseguir sentir-me livre. O que não invalida a curiosidade de ti.


...




Anna: Love bores you.
Dan
: No, it disappoints me. 

(quotes from "Closer") 



É algo que lamento, na verdade. Mas nunca nada aconteceu que me fizesse ir pelo caminho oposto. O resultado sempre foram as desilusões. Mesmo quando, a meu ver, as histórias tinham tudo para dar certo. Não deram. Não. E agora resta-me isto. Olhar para o armário das memória e dar de caras com um amontoado de coisas que correram mal. 

Poderia voltar a acreditar? Provavelmente.

Como? Não faço a minima ideia, mas teria de ser algo extraordinário.

E sim retorno a esta ideia inicial, que já me havia esquecido um pouco. Mas retornei a casa. Sim, é preciso algo extraordinário. Abaixo disso, já eu vivi tudo o que tinha de viver. E sabem que mais? Não vale um corno da nossa dedicação.

E até gostava de esquecer como às vezes as pessoas são mesmo uma merda. Era tão bom esquecer isto.

E voltar a acreditar que existem por aí mulheres com M e com coragem de viver sem medos e que entendam que para além das palavras, existem os gestos e que esses sim, fazem a diferença.

Um brinde que farei hoje à noite no jantar: foda-se, estou livre e não nutro puta de sentimentos por ninguém! Estou livreeeeeeeee!

No meio de tanto azar, de tanta porcaria, de desenterrar mortos, hoje sinto-me feliz!

(espero que leias isto Ritinha, e percebas o quanto me ajudaste neste processo. Obrigada minha gémea alma :) )






You better shut your mouth
Hold your breath
Kiss me now you'll catch my death
O, I mean it



Andar para a frente. Não sei bem para onde. Já não sei se é uma questão de fantasmas e de ter de lidar com tudo o que tenha ficado pendurado, ignorado, mal resolvido no passado. Sou eu. O problema sou eu. É isto que tem estado em repeat na minha mente nos últimos tempos. É a única resposta que consigo produzir. E seja o que for que me impede de evoluir, tem de ter solução. Tem de ter. Porque senão, não sei. Esta coisa de mudar constantemente de estado de sentir, não é vida para ninguém. Já não me basta o copo vazio. Ou cheio ou a meio termo. Nada me basta , é isso? Espero que não.

Acho que os últimos tempos têm sido difíceis. Por vezes, adormeço com a sensação que não aguento mais. Mas não aguentas mais o quê? Não sei. Esta sensação de que nada corre bem. De que nada colhe frutos. De que eu tenho defeitos. É isto. É o que tenho vindo a concluir. Eu tenho uma quantidade enorme de defeitos e por isso sou invisível. Aliás, errado. Eu não sou invisível. Só não sou visível, como queria? Sim, acho que é isto. E quero esquecer este pensamento, quero tanto. Mas cada vez chega mais forte. E depois é como se a Narcisa (um dos muitos eus) (que não são assim tantos) (conto quatro), me dissesse levemente ao ouvido: vês? Não vales um caralho.

A sensação que me ocorre é que no dia que me comecei a dar (a dar-me a conhecer – a mim, a principal) e a sentir, fodi tudo.

É o meu estado actual. É o que me corrói. É o que não me sai da cabeça.

Possivelmente, isto é o tal acordar. O sair do nosso mundo próprio. E dar de caras com o mundo, com as pessoas. E talvez aceitar que afinal não sou assim tão interessante.

Foda-se. É duro.


Metade





Arrepiante.
Emocionante.
Tão meu e tão de tanta gente.

Raios me partam.






O prédio em ruínas a arder. Faz-me sentido esta imagem. Se fechar os olhos, é assim que me vejo. Estou em processo de desconstrução. É o que está a acontecer. Uma das coisas que fazer terapia traz é isso. A desconstrução do eu. Ruir e ficar em escombros para melhor perceber o que é inato e o que foi implantado. Aos 26 anos estou perdida dentro de múltiplas personalidades que se remontam a várias fases. É como se tivesse perdido o fio e neste ponto, não sei quem sou. Ou melhor, sei algumas coisas mas perco-me noutras. Qual a raiz da essência. Não é bom escavar o passado. Não é bom estar no presente e sentir-me como se tivesse novamente 16 anos. Existem sensações que não deveriam voltar. É isso que retenho. Mas estão a voltar. Em força e sem me ser possível controlar.

Uma das principais questões é ter conseguido reconhecer que estou frágil. A dificuldade é saber aceitar isso. Porque não aceito. Expulsei de mim essa consciência de fragilidade. Não gosto em mim e não tolero nos outros. Quando me deparo com esse estado, fecho os olhos e distraio-me. Para não rejeitar. Para não rejeitar o outro que se sente ou é frágil. Para não me rejeitar a mim. Fico agressiva. Estou agressiva. Há muito que não me sentia assim. Agressiva com vontade de partir tudo. Se partir tudo, sentirei a dor física e isso fará com que chore. Preciso de chorar. Mas canso-me constantemente dos meus limites enquanto ser.

Não estou pedra porque sinto tudo na flor da pele. Não gosto disto. De sentir tudo. De me sentir exposta. Só me ocorre dizer, que isto não sou eu. Mas e se for? E se afinal sou assim? Não gosto. Rejeito. Não posso ser assim. Merda.

Poderia achar que o melhor seria despir as máscaras. Mas isso é algo que não sei fazer. São demasiado eu. Já não consigo despir a pele que não era minha mas passou a ser. Sinto necessidade de construir novas peles e agir de modo diferente. Mas como? Como realizar esse querer?

Sinto-me incapaz de avançar e dar de caras com um mundo novo. Quero dar-me a conhecer mas é como se tivesse perdido a sensibilidade necessária. Só me ocorre dizer, foda-se para mim.